Se tentamos dizer aquilo que ainda não adentrou em nosso ser, falaciosos seremos, entretanto, se compartilharmos aquilo que está, incontestavelmente, nele, mesmo que não aceito pela maioria, então falamos o que realmente queremos dizer

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

deus X deus


Davi, porém, lhe respondeu: Tu vens a mim com espada, com lança e com escudo; mas eu venho a ti em nome do Senhor dos exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado.   
I Sm 17:45

Hoje, dia 14 de dezembro de 2010, enquanto assistia ao jogo de semifinal do torneio interclubes da FIFA, entre o Internacional do RS e o Mazembe do Congo vi um fato um tanto curioso. Os jogadores africanos se reuniram embaixo do gol e de joelhos fizeram uma prece e, logo depois, a câmera filmou um jogador do Inter com as mãos levantadas para céu fazendo algum tipo de oração. Até aí tudo bem. Mas, surgiu em minha mente teológica e palpava algumas perguntas: Qual devoto vai receber uma resposta positiva à oração? Será o brasileiro ou o africano? E será que o time vencedor serve a um deus maior? E, se os dois estiverem confiando suas preces ao mesmo deus? E aê?
Outro dia numa entrevista com famoso e aposentado tenista André Agace, que publicou um livro contando sua história de vida, ele falou sobre um de seus adversários que sempre orava ao vencer a partida. Para Agace isso era algo incômodo, pois entendia que deus havia abençoado apenas o seu oponente.
É uma questão polêmica e absurdamente difícil de ser respondida. Obviamente que eu não conseguiria responder em um artigo de blog e, nem me proponho a isso. Mas, o que podemos fazer é refletir. E olhando para a história tentar ter alguma perspectiva sobre esse assunto.
Era comum na antiguidade entender a guerra sob uma ótica etérea, onde o povo mais vitorioso era devoto do deus mais poderoso, já o povo derrotado servia a um deus combalido. Em diversas vezes, vemos nos salmos um clamor como: “Não deixe que digam: ’Onde está o seu Deus? ’”, demonstrando a visão humana em relação à guerra, no sentido do povo vitorioso zombar dos derrotados. Citei do primeiro livro do profeta Samuel, a célebre história do pequeno Davi contra o grande Golias. Davi se colocou como um representante de Deus e foi menosprezado por seu adversário, o "Campeão", como os filisteus gostavam de chamar Golias. E aí o pequeno Davi mandou uma pedra na testa do grandalhão. Pronto! Já era!
Não sei se ainda existe a possibilidade de Deus intervir em alguma guerra, pois à luz da teologia aprendemos sobre a Revelação Progressiva de Deus, ou seja, na época de Davi Deus precisava se revelar daquela maneira para seu povo, para instituir Davi como Rei, para mostrar sua glória soberana e realizar seu plano, porém hoje vivemos outra fase, onde é perdendo que se ganha!
Também não sei se Deus estaria preocupado em intervir em um jogo de futebol. Entretanto, consigo perceber tanto na história de Davi quanto na história do Internacional no jogo de hoje que: O menor prevaleceu. Já que o time brasileiro era o favorito para vencer o jogo.
E talvez, seja assim, o Deus verdadeiro se preocupa com os pequeninos, com os desclassificados, com os desacreditados, pois esses não têm outra escolha a não ser depender de Deus.
Ou talvez, seja simplesmente técnica, Davi foi mais rápido, o Mazembe foi melhor. E se você preferir pensar assim. Tudo bem! Pois, Deus continuará sendo a favor dos mais frágeis.
Ainda pode pensar que foi sorte, tanto de Davi quanto do Mazembe...
Entretanto Deus ainda será o Deus dos desfavorecidos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário