Se tentamos dizer aquilo que ainda não adentrou em nosso ser, falaciosos seremos, entretanto, se compartilharmos aquilo que está, incontestavelmente, nele, mesmo que não aceito pela maioria, então falamos o que realmente queremos dizer

domingo, 19 de junho de 2011

Vem e Segue-me - Parte 2

Lucas 9:57-62 


Jesus caminha em direção à Jerusalém numa estrada que passava por Cafarnaum. E aí, em algum momento durante essa viagem, Ele é confrontado por três indivíduos, que talvez estivessem em meio à multidão ou talvez vivessem em Cafarnaum. Para dialogar usa três trocadilhos para cada um dos personagens. Olha aí:

“As raposas têm suas tocas e as aves os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça” 

O primeiro sujeito muito provavelmente era um rabino. Este demonstrou um interesse profissional em seguir Jesus, já que Jesus era um rabino famoso e caminhava para uma recepção calorosa em Jerusalém.Aí Jesus vendo o entusiasmo desse rabino e também entendo sua motivação responde com um adágio. Jesus diz que os animais da terra têm suas tocas e os animais do céu os seus ninhos. O que pensar desse trocadilho? Jesus estava dizendo que os animais têm seu próprio refúgio de Segurança, possuem um lugar palpável onde podem descansar, mas aquele que decide seguir o Senhor o seu refúgio será o Senhor, por isso que o Filho do homem não tem um lugar visível e palpável para descansar, mas tem o Senhor dos Senhores sobre o controle de sua vida. Ser rico e famoso não são adjetivos que estão na proposta de Jesus para quem decide segui-lo. Quem não têm esclarecimento sobre essa situação acaba se frustrando ou então se rebelando contra tudo e todos, porque está com a percepção errada sobre seguir Jesus.

“Siga-me, e deixe que os mortos sepultem seus próprios mortos”
O segundo personagem que aparece no relato de Lucas era alguém que estava no meio da multidão, mas provavelmente havia apenas parado ali para observar o que estava rolando, ou talvez só para conhecer uma celebridade. Então, Jesus faz o convite que já vinha fazendo aos que cruzavam seu caminho. Mas, a resposta desse personagem anônimo denuncia que ele ainda não havia decidido seguir o mestre de todo o coração, não tinha resolvido se envolver naquele movimento revolucionário. O pedido dele revela que era um homem responsável, pois queria cuidar de seus pais antes que morressem. Algo que era comum na época. Jesus, não quis proibi-lo de fazer o que é correto, mas mostrar-lhe que obrigações relacionais não devem ser a prioridade em sua vida. Emuitas vezes nossos interesses pessoais se tornam prioridades em nossas vidas.  
Sabe! Depois que completamos dezoito anos parece que a vida vira de ponta cabeça, a realidade vem nos confrontar e aí começamos a ter que tomar decisões atrás de decisões e percebemos o quanto isso é difícil, pois não queremos nos frustrar e nem decepcionar nossos pais ou as pessoas que estão ao nosso redor. Aí terminamos o ensino médio e entramos na faculdade, percebemos que não há outro jeito, temos que estudar muito.  Automaticamente vamos ter que dedicar menos tempo para o Reino de Deus. No último ano vem o tal “TCC” que realmente é um monstro. Aí pronto! Nenhum tempo nos sobra, porque em alguns casos já estamos trabalhando. Então final de semana é o tcc e talvez a namorada, mas o Reino, esse já era! Depois da formatura parece que vamos ficar tranqüilos. Mas percebemos que está na hora de casar, porém precisamos de mais grana, automaticamente precisamos trabalhar mais e aí o Reino? Pode esperar! Né? Casamos e pensamos, pronto agora sim, e aí uma manhã a sua esposa acorda e olha para você com aquele sorriso que vai de orelha a orelha dizendo: Estou grávida! Pronto. Você fica super feliz, mas ao mesmo tempo pensa: Mais grana, mais trabalho, menos tempo. E assim, segue a nossa vida e o Reino de Deus vai ficando sempre em segundo lugar. É claro que aquele homem não vivia em nossa realidade, mas Jesus percebe na resposta dele que era apenas uma desculpa para não se envolver. E muitas vezes, inconscientemente fazemos isso, usamos de nossas responsabilidades para não nos envolvermos com o Reino de Deus. 
A primeira percepção que temos é que Jesus estaria sendo cruel, e que a justificativa desse homem é plausível. Ele hesitou quando foi confrontado a seguir a Jesus porque não tinha certeza se realmente era isso o que queria para sua vida, pois temia não conseguir realizar suas obrigações relacionais, ou temia que essas necessidades não fossem sancionadas por Deus de alguma forma. Nós também hesitamos em responder o chamado de Deus porque temos medo que as necessidades da nossa família ou as nossas necessidades não serão assistidas por Deus.  Jesus em nenhum momento ensinou que não devêssemos cumprir com nossas obrigações relacionais, mas o problema é que aquele indivíduo usou isso como uma justificativa para não aceitar o chamado de Jesus. 
Fazer uma faculdade. Um Mestrado. Comprar uma casa. E por aí vai ... quando você perceber sua vida acabou e o reino de Deus ficou de lado .

 “Quem pega no arado não olha pra trás” 
O último sujeito a ser confrontado por Jesus era mais um que estava ali no meio daquela multidão e talvez já andasse com Jesus por algum tempo. Esse estava disposto a segui-lo, porque provavelmente já havia entendido do que se tratava a proposta de Jesus. Mas, antes de seguir o mestre ele pede um tempo para se despedir da família ou dos amigos. Outra situação que parece meiga, mas esconde o verdadeiro desejo daquele jovem. Ele queria na verdade curtir mais um tempo de sua vida sem envolvimentos com o Reino de Deus, porque sabia que no momento em que se envolvesse não poderia mais fazer as coisas que fazia antes. Muitos têm a consciência do que significa se envolver com o Reino de Deus e então pedem um “tempinho” pra Deus para “curtir” a juventude e depois segui-lo. Mas, quando jovens tomam essa decisão, muitos ficam lá curtindo seus “amigos” se “despedindo da família” e não voltam mais para se envolver com o Reino. Jesus sabia que se aquele jovem fosse se despedir de seus amigos ele não voltaria mais. Pois, na verdade o Reino de Deus não é atraente mesmo. E cansamos de ver jovens brilhantes, com um talento fenomenal se perderem em seus devaneios mundanos. Imaginando que podem conquistar muito mais. Pensando que estão desfrutando de liberdade. Quando, na realidade, não passam de escravos de um sistema ilusório!

Conclusão: 
Será que nos identificamos com algum desses personagens? Porque não temos tomado a decisão de seguir o Mestre? De nos envolvermos com o Reino? O que nos falta? O que nos impede? Essa pode ser a sua oportunidade de decidir pegar no arado e não olhar mais pra trás. Sua oportunidade de deixar Deus cuidar de suas responsabilidades relacionais. E permitir que Ele fique no controle da sua vida.  Esperando nEle a recompensa por todo o teu trabalho e empenho!

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